A Comunicação Não Violenta (CNV) começa em casa: CNV com crianças

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Claudete Reis | Julho 01, 2022

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Por Claudete Reis

A comunicação não violenta é uma forma de nos relacionarmos que se baseia nos itens: empatia e respeito. Ela deveria ser aplicada em todos os nossos ambientes: trabalho, lazer com os amigos e familiares, 

viagens, na comunidade, na escola dos filhos, etc., mas principalmente deve começar em casa, ao tratarmos uns aos outros.

Na comunicação não violenta (CNV) devemos ter uma abordagem de conversas francas, desarmadas, com trocas sinceras e sem julgamentos. Devemos nos colocar na posição do outro e abandonar uma postura defensiva, em que nem ao menos tentamos compreender o que o outro está expressando, deixando de lado a compaixão e o entendimento.


A CNV tem sido chamada de ‘Língua do Coração’. Como disse Ghandi: “a não violência se refere ao estado compassivo natural que nos toma quando a violência é afastada do coração.”

Quando aprendermos a expressar ao outro as nossas necessidades e, também, parar, escutar e compreender as necessidades dele, aprenderemos também a evitar o conflito.

Já vimos inúmeras situações e exemplos de como fazer isto no ambiente de trabalho, mas vamos ampliar o nosso horizonte. Vamos tentar levar isto ao ambiente familiar, em que na maioria das vezes, baixamos a guarda e nos ofendemos e machucamos mutuamente, sem perceber.

 

Sabemos que o conceito da empatia é um dos pilares da CNV

Pesquisas mostram que as crianças já nascem com essa característica empática e assim conseguem desenvolver o sentimento de empatia com muito mais facilidade do que nós adultos… sem saber e sem esforço!

Exemplo:

1. Pergunte à uma criança: “por que o cachorrinho está chorando?”

A resposta virá espontaneamente: Ele está com fome. E qual sentimento isso traz para o cachorrinho: Dor na barriga.

Ele quer carinho. E qual sentimento isso traz para o cachorrinho? Fica triste se você não dá, mas fica alegre se você dá.

Ele está com frio. E qual sentimento isso traz para o cachorrinho? Não é confortável, precisa ficar quentinho com um cobertorzinho dele.

Porque quer a mamãe dele. E qual sentimento isso traz para o cachorrinho? Fica com medo quando não vê a mamãe dele.

 

2. Pergunte à uma criança: “por que a folha da árvore caiu?”

A resposta virá espontaneamente: Porque a árvore precisa de mais água. E qual sentimento isso traz para a árvore? Ela está com sede.

 

3. Pergunte à uma criança: “por que a formiga carrega tantos pedacinhos de folhas e galhos para a sua casinha?”

A resposta virá espontaneamente: Porque precisa construir uma caminha. E qual sentimento isso traz para a formiga? Está cansada e com sono e quer dormir.

E assim por diante.

Veremos que as crianças são muito mais lógicas e simplistas do que imaginamos. E mais inteligentes também. Vamos aproveitar essas características inerentes.

Então só precisamos reforçar com a criança que todo mundo precisa de alguma coisa, tem NECESSIDADES. Depois é só ver qual o SENTIMENTO que esta necessidade vai trazer e então criar com a criança, uma ESTRATÉGIA para poder sanar o ‘conflito’ que se apresentou.

Há alguns passos para trilhar com a criança para que possa entender e aprender como ser não violenta e ser proativa. Estes mesmos passos irão nos ajudar a expressar para a criança o que queremos de uma forma PACÍFICA, e que muitas vezes expressamos isto de forma impositiva e desatenta. São eles:

  • Observação  sem julgamento, tentando sempre entender a necessidade do outro.
  • Sentimento  identifique qual o sentimento o outro está sentindo (raiva, irritação, medo, frustração, tristeza, animação, angústia, etc.).
  • Necessidade – entender qual a necessidade está por trás desse sentimento.
  • Comunicação – Comunicar de maneira objetiva e simples o que precisa ser feito.

Ao ensinarmos isto às crianças (filhos ou não) estaremos automaticamente praticando a motivação e compaixão.

 

Como devemos fazer isto?

Além dos 4 principais pontos acima, devemos dialogar com a criança. Devemos colocar nossas próprias necessidades de forma objetiva, assertiva e efetiva. A criança na maioria das vezes entenderá e você poderá ‘combinar’ algo com ela. Chegar a um acordo. Mostrar a criança como é importante manter o que foi combinado. Fazendo ela sentir a responsabilidade de cumprir o acordo, mostrando as consequências se não o fizer e dando-lhe a recompensa.

Mas tudo isto deve ser feito, com carinho, respeito, empatia e não ensinando o sentimento de ‘culpa’.

De acordo com a psicóloga clínica Raylla Andrade e o marido Rodrigo Lolato, engenheiro de formação e coach executivo, temos que ter cuidado com algumas atitudes cotidianas, sendo elas:

Equilíbrio entre firmeza e amor: “Equilibrar é ter ambos bem desenvolvidos. Estar tão centrado naquela escolha e profundamente imbuído de amor”, resume Rodrigo. Para ele, há diversas situações em que os pais se sentem desafiados, como ao ir embora de uma festa, ao incentivar as crianças a provarem novos alimentos ou estimular a autonomia em tarefas domésticas. É provável que os pequenos não queiram fazer determinadas coisas, reclamem e até desaprovem as atitudes dos pais, mas a frustração faz parte da vida.

Combinados e expectativas claras: é essencial ensinar as consequências das atitudes aos pequenos, mas isso não se trata de punições. A ideia é que os pais e os filhos cocriem os combinados e saibam por que são feitos. “A criança começa a perceber o impacto que as ações que elas fazem tem no mundo e nos outros. Elas fazem escolhas melhores”, afirma o coach executivo.

O que é escrito no final, marcado em um cartaz ou anotado em uma agenda visível é apenas um papel. Antes, em uma conversa, são expostos sentimentos, necessidades e expectativas de pais e filhos.

Cuidado com as mentiras: “Cuidado com uma lista de violências muito sutis que às vezes não percebemos. Por exemplo, ‘não vai doer a injeção’, mas a criança toma e vê que dói. Aquela mentirinha quebra a confiança”, exemplifica Raylla. As pequenas mentiras podem abalar uma necessidade importante, que é a da confiança.

O mesmo serve para o uso do sarcasmo e o menosprezo por algo que a criança fez. “O convite da não violência é cada vez mais refinar nosso olhar para as micro violências e perceber se não encontramos outras estratégias”, mostra a psicóloga.

 

Quais são os benefícios da CNV para crianças?

Certamente já ouviram a expressão ‘educação de berço’! Mas esse conceito mudou muito ao longo dos últimos anos.

Antigamente quando dizíamos que alguém tinha educação de berço estávamos nos referindo somente aos bons modos e respeito aos mais velhos. Logicamente, isso ainda é muito importante. Mas agora agregamos a estes valores, a empatia.

É em casa que as crianças aprendem sobre suas emoções. Assim, com emoções saudáveis, baseadas no respeito e na empatia, a criança se desenvolverá com esses valores como base.

Na comunicação não violenta todos têm espaço para se expressar e sabem que serão ouvidos e acolhidos. É uma ótima maneira de reforçarmos a autoestima das crianças, reforçando seus laços afetivos e reduzindo os conflitos.

Também é um recurso para evitar a agressividade infantil, já que as crianças aprendem a agir de maneira mais tranquila e racional. Elas não se sentem julgadas em suas dificuldades, por isso não assumem uma postura defensiva.

Muitas vezes fazemos e ensinamos coisas erradas sem pensar. Instintivamente! Porque foi assim que aprendemos.

Vejamos um vídeo para ilustrar isto:

 

 

E para terminar, para quem quiser há um jogo de cartas para crianças e adultos, que nos ensina a CNV de forma serena e tranquila. Na brincadeira.  Jogo com minha neta e aprendemos bastante uma com a outra! 

O nome do jogo é Aprendendo CNV e pode ser adquirido clicando aqui.

 

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Descrição da escritora:

Claudete é Assistente Executiva do CEO e da Diretoria. Ela está na empresa desde sua fundação em 2004, quando ainda era prestadora de serviços, e foi oficialmente contratada no ano seguinte como a primeira colaboradora.

Ao longo dos anos, participou do crescimento da empresa, atuando e auxiliando na implementação de vários departamentos, como por exemplo, o RH e DP, o Financeiro, Eventos, entre outros. Além disso, em 2009, foi responsável por implantar, desenvolver e gerenciar o curso interno de inglês que existe até hoje.

Desde o início, trabalhou com a organização de eventos e viagens, tanto para enviar nossos executivos em visitas aos clientes e para treinamentos, quanto para recepcionar os clientes em visita ao Brasil e à empresa.

 

Bibliografia:

https://cangurunews.com.br/comunicacao-nao-violenta-criancas/

 

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