A trajetória da mulher no mundo do desenvolvimento de software

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Tools | Março 17, 2022

Desde o início, as mulheres tiveram um papel essencial nas áreas de ciência da computação e tecnologia da informação. Algumas das conquistas femininas são amplamente conhecidas, como a criação do primeiro programa de computador, por Ada Lovelace, a invenção do compilador, por Grace Hopper, e a direta contribuição para o avanço da exploração espacial, por Katherine Johnson e Margaret Hamilton. Apesar disso, grande parte das pessoas não faz ideia do quão profundo é o envolvimento das mulheres nestes campos – e como o caminho da computação através dos séculos se baseou majoritariamente nelas.

Durante o século 19, cientistas e governos começaram a coletar toneladas de dados relacionados a astronomia, navegação e diversas pesquisas para serem processados. Era necessário então quebrar os cálculos em problemas matemáticos menores e mais simples, e grandes grupos de pessoas (homens, em sua maioria) eram contratadas para resolvê-los. No final do século, notou-se que empregar mulheres para realizar essas tarefas, consideradas entediantes, de baixo status e onde “não era necessária muita habilidade”, reduziria o custo do serviço pela metade. Dessa forma, os “computadores humanos” se tornaram quase que completamente mulheres.

Algumas décadas depois, os computadores digitais começaram a aparecer e ameaçar o trabalho desses “computadores humanos”. No entanto, as mulheres continuaram envolvidas nesse tipo de atividade, visto que a própria programação também era considerada um trabalho manual, como digitação ou arquivamento, função perfeita para a noção sexista da época de que mulheres possuem naturalmente atenção a detalhes e gosto por planejar e organizar as coisas.

Um bom exemplo disso é o ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer), o primeiro computador programável, criado em 1945 e utilizado para calcular trajetórias balísticas durante a Segunda Guerra Mundial. O time de programação era composto por seis mulheres, que inicialmente aprenderam a fazer programas para este computador baseando-se apenas em diagramas lógicos, já que não existia nenhum tipo de documentação por parte dos engenheiros e elas não podiam, no começo, sequer ficar na mesma sala que o ENIAC.

Apesar da história brilhante das mulheres no início da computação, com o passar do tempo os estereótipos da área mudaram ao ponto delas não serem mais consideradas para esse tipo de trabalho, onde empregadores passaram a priorizar perfis com traços considerados masculinos e antissociais. Em uma pesquisa realizada em 2011 por Sue Gardner, ex-diretora executiva da Wikimedia Foundation, foi constatado que menos oportunidades femininas e fatores que trazem sentimentos, como falta de autoconfiança e aversão a conflitos, contribuíram para o ambiente de trabalho ser considerado hostil para mulheres. 

No entanto, novas iniciativas surgem todos os dias no mundo do desenvolvimento de software para que mulheres sejam acolhidas e valorizadas. Como exemplos, podemos citar o PyLadies, PrograMaria e o Minas Programam – iniciativas que têm como principal foco a difusão da tecnologia para outras mulheres, além de capacitação e inclusão. Também é interessante citar importantes contribuições atuais que merecem destaque, como Katie Bouman, uma das líderes de desenvolvimento do algoritmo que nos mostrou a primeira imagem de um buraco negro, e Shafi Goldwasser, que co-inventou o cryptosistema probabílistico Blum-Goldwasser, que é a base para as encriptações de dados mais recentes.

O futuro definitivamente parece promissor, mas a luta pelo nosso espaço continua diariamente!


Breve descrição da escritora:

Julia é formada em Ciência da Computação e desenvolvedora back-end na Daitan desde janeiro de 2020. Uma das suas grandes metas na computação é trazer mais meninas para a área através de iniciativas online e divulgações. Como hobby, é geek e nerd de carteirinha.


Referências

Iniciativas 

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